Mundo SAP

Published on December 14th, 2011 | by Mauricio Cruz

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A onda do despreparo pode estar lhe atingindo – e talvez você não tenha percebido

Para celebrar um ano de ABAPZombie, com a migração bem sucedida para o novo servidor e novo layout, resolvi escrever meu primeiro post “não técnico” e que “não seja relacionado com divulgação de notícias e eventos”.

É fato que existem diversos membros da comunidade SAP que compatilham suas impressões à respeito de praticamente tudo que acontece no ecosistema: mercado, compras de empresas, novas tecnologias, mudanças de estratégia… Um exemplo é este artigo do TechCrunch comentando de forma um pouco rude a compra da SuccessFactor pela SAP, que recebeu algumas respostas de membros da comunidade SAP, como esta e esta outra.

Refletir sobre algum assunto nos faz crescer, e a possibilidade de poder interagir com outras pessoas, divulgando minhas opiniões através de um post e recebendo um feedback pelos comentários é algo que eu quero explorar faz algum tempo.

Nada mais justo do que utilizar nosso site para artigos desse tipo 🙂


Todo mundo comenta informalmente (e formalmente em alguns casos extremos) sobre o despreparo de parte dos profissionais SAP no mercado brasileiro.  Mas acredito que essa onda de despreparo pode estar atingido você, bom profissional, e a sua maneira de encarar o seu próprio trabalho. Pois é.

É extremamente comum entre os profissionais que trabalham com SAP, conhecer alguma pessoa que é popularmente intitulado de “mal profissional que sabe se vender“. Arrisco dizer que praticamente todos que trabalham com SAP há mais de 1 ano conhecem alguém assim, ou pelo menos já escutou alguma história similar. Se você não conhece, é só pensar em um profissional que afirma ter conhecimentos sólidos sobre alguma tecnologia, mas acaba demorando horas para concluir tarefas básicas, além de não mostrar os tais conhecimentos sólidos sobre praticamente nada do que acontece no dia-a-dia do projeto.

Notem que eu não estou comentando aqui sobre despreparo de profissionais Júniors recém-formados. Afinal, o fato é que existem muitos casos de Plenos e Sêniors despreparados e que coexistem com o mundo de consultorias, projetos e clientes há muito tempo.

Esse tipo situação está longe de acabar, e, provavelmente, nunca será extinta. Afinal, afirmar que alguém é despreparado para alguma coisa requer um nível de conhecimento que muitos recrutadores não possuem – e mesmo aqueles que o tem, podem ter dificuldades no processo de recrutamento, pois avaliar formalmente alguém não é uma tarefa fácil.

Mas, na minha visão, o problema maior é o nivelamento do conhecimento necessário para alguém ganhar o título de bom profissional. E esse nivelamento, no geral, tende a ser baixo.

Se você trabalha em um projeto pequeno com 2 devs, onde 1 deles é o tal “profissional despreparado“, você tem grandes chances de se destacar sem fazer muita coisa. E isso pode lhe dar a ilusão de que você é um profissional extremamente qualificado, fazendo com que, aos poucos, você deixe de ter vontade de estudar e de buscar conhecimento, por já pensar que sabe o suficiente. Isso pode acontecer de uma forma não explícita ao longo de sua carreira, e pode prejudicar o seu desenvolvimento.

Parece que muita gente acredita que o grande acontecimento da sua vida profissional foi conseguir entrar no mundo SAP, e, já que com pouco (em comparação com os despreparados) ele consegue fazer “muito”, não precisa mais progredir…

Um grande fato na vida do profissional de hoje em dia é que ele precisa estudar e buscar conhecimento se quiser continuar progredindo. Isso não se restringe somente ao mundo de TI, é válido para todas as áreas. Muita gente me pergunta: “porque fazer um site e dedicar o seu tempo livre para compartilhar conhecimento com os outros?”. É simples: porque eu quero melhorar como profissional, e o site é um instrumento que motiva a equipe a buscar mais conhecimento para trazer bons artigos que ajudem outros devs.

Não estou aconselhando que você crie um site: isso funciona para mim (e para muitos outros), mas o ideal é que você encontre o seu próprio meio de buscar conhecimento.

Este nivelmento “para baixo” está fortemente presente na nossa área, e talvez esteja presente até mesmo no seu projeto atual. Pelo bem do seu próprio desenvolvimento, tome cuidado, e não deixe isso afetar a sua vontade de progredir.  Se mais profissionais estiverem mais bem preparados, nós mesmos iremos estreitar cada vez mais o espaço dos profissionais despreparados.

Obviamente essa regra não é absoluta. Existem diversas exceções, de empresas e projetos com times excelentes, de pessoas dedicadas e ávidas por absorver novos conhecimento. Mas, mesmo que você esteja na exceção, não pare de refletir sobre o tema e não perca a vontade de crescer. Motive a si mesmo, para que o seu leque de opções fique sempre mais atrativo: seja para escolher um novo emprego, ou para ser escolhido.

Peço para que vocês deixem seus comentários, para podermos discutir mais o tema: Você conhece alguém que foi afetado por essa onda do despreparo? Você acredita que isso pode realmente atrapalhar o bom profissional? Quais é a sua visão sobre o tema?


Aproveito aqui para agradecer todos os leitores do ABAPZombie, pelo fantástico ano de 2011. Conhecemos muitas pessoas, fizemos muitos amigos, e podemos consolidar nosso site dentro da comunidade. Eu estou muito feliz, mas preciso de férias, e é por isso que a partir do dia 19/12 eu não acesso mais NADA tecnológico, nem twitter, nem e-mail, nem nada. São as minhas tradicionais “férias tecnológicas,” e eu só volto em 2012 😉 Boas festas à todos, e um grande abraço! 

(e fiquem tranquilos, tem post agendado já para as férias! 😀 )

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About the Author

é pasteleiro há alguns anos e criou o ABAPZombie junto com o Mauro em 2010. Gosta de filosofar sobre fundamentos básicos da programação e assuntos polêmicos. Músicas estranhas, artes marciais e games indies são legais. Zumbis não. Converse comigo no twitter e conheça o meu livro de ABAP!



11 Responses to A onda do despreparo pode estar lhe atingindo – e talvez você não tenha percebido

  1. Karina Ganev says:

    Olá! Recebi a recomendação de ler esse post, não sou da área de TI mas percebo isso no segmento de Alimentos também. Muitos “engenheiros” se dizem detentores do conhecimento, mas não sabem se quer o básico da profissão. São acomodados, preguiçosos e só ostentam seu “título”. Acredito que este processo de constante atualização, além de promover o crescimento profissional, é essencial para o processo evolutivo da humanidade. Abs

    • Olá Karina, obrigado pelo comentário.

      Concordo plenamente que isso impacta não só o crescimento de um ser, mas do todo. Existem milhões de motivos para alguém ser preguiçoso, mas a super valorização de pessoas que supostamente são “muito boas”, não ajuda em NADA.

      Interessante saber que isso ocorre na sua área também, apesar de ser uma pena…

      Abraço!

  2. Henrique F says:

    Achei bastante interessante o teu artigo, e concordo com tudo que falou. Bom, afetado diretamente nunca fui, mas vejo que todos temos muito à perder nessas situações. Esse ”amadorismo” que acontece na nossa área, TI, é bem visível. Vejo pessoas que mentem, e mentem muito, sobre os seus skills de uma determinada tecnologia… e isso me desanima muito, por que o amadorismo acaba atrapalhando as pessoas que fazem um trabalho decente em várias situações: salário, plano de carreira e até meritocracia. Esse amadorismo ajuda com a falta de padronização de skills e níveis de carreira

    • Olá Henrique, demorei um pouco mas cá estou respondendo seu comentário.

      Você falou sobre uma coisa interessante, a “padronização de skills”. Parece que ela nem existe, falae? 😛 É comum duvidarmos da “senioridade” de alguém… e isso é reflexo do despreparo que atinge tanta gente.

      Obrigado pelo comentário!

      Mauricio Cruz

      • Henrique F says:

        Pois é, vejo na minha empresa mesmo. Ano passado entrou gente como senior, no entanto não sabiam nada da tecnologia à qual iria trabalhar, pois as ferramentas em si são muito exclusivas, ou seja, são ferramentas muito pontuais ao trabalho que fazem e não há muito profissionais que tenham experiência com ele [não no Brasil pelo menos]. O que acontece é que entraram como sêniors por que já trabalham com TI há anos, e consequentemente não aceitariam um salário menor, no entanto a linha de aprendizagem deles foi igual [ou menor em alguns casos] ao de um junior, por exemplo. Enfim, padronizar é difícil, até por que na nossa área surgem cada vez mais tecnologias, com diferentes empresas provendo soluções e essas com diferentes planos de carreiras próprios, com skills específicos pras suas próprias necessidades…. aaaaahhhhh é muito complicado , de arrancar os cabelos hehehe

        • Paul says:

          Henrique,

          Isso pode mudar quando vc for dono da sua empresa, mas ai vc vai ter as mesmas dificuldades que seu patrao tem hoje, entao vai cometer os mesmos erros.

          Infelizmente a solução pra isso está na educação. Resumindo, esse mundinho ideal vc não vai ter o prazer de ver, não no Brasil e não nessa encarnação.

          Abs.

  3. Samuel X. says:

    Olá, Realmente fui impactado com esse post… acho que me enquadro um pouco nesse quadro, mesmo sendo junior e tendo apenas um pouco mais que 1 ano como ABAP, acho que aquele desejo de aprender e buscar coisas novas foi me deixando, não sei se por causa dos projetos que participei, alguns de alta complexidade… outro um pouco repetitivos… mas creio que idependente disso quem deve buscar o crescimento somos nós mesmos mas lembrando que existe uma forma correta para isso… como você mesmo disse “Tem alguns profissionais que não sabem o básico” realmente o básico faz uma falta enorme!!! Pois assim uma casa ou um prédio precisa de uma base sólida o nosso conhecimento não é diferente… muitas vezes existe uma coisa simples que resolve a situação, mas como a gente acha que sabemos tudo vamos para o lado mais complexo. Esse post me abriu os olhos para buscar novos horizontes e sair da mediocridade, se necessário voltar a estudar o básico e aprimorar o meu conhecimento. Espero que outros leitores consigam enxergar qual tipo de profissional ele está sendo atraves desse post e mais que isso… ter a coragem de adimitir que foi pego por essa onda também que as vezes é o mais dificil.
    valew

    Abçs

    • Samuel,

      Muito obrigado pelo seu comentário. Fico realmente feliz em saber que o post lhe ajudou de alguma forma. Muita gente me questiona sobre a minha vontade maluca de aprender e buscar novas coisas, e eu acho que consegui sumarizar bem o que eu penso a respeito. Saber que essa análise fria do meu redor ajudou alguém é uma coisa ótima.

      Um grande abraço, e boa sorte na sua jornada!

      Mauricio Cruz

    • Henrique F says:

      Acho que isso se reflete também pela própria comunidade da tecnologia em questão, no caso o ABAP. Eu, que sou de fora, vejo que tem sido uma comunidade muito fechada e isso se reflete dos que já estão dentro, em não compartilhar conhecimento e em executar tarefas repetitivas. A galera mais nova, tem tentado mudar esse quadro, com mais folego pra buscar inovar, conhecer mais, se aprimorar. O que não acontece com os que já trabalham com isso há anos e anos, ocasionando desprepado a longo prazo.

  4. Vagnão says:

    Mauricio, dois pontos interessantes, a meu ver:
    1. vejo muitos profissionais que, quando retornam de um projeto para o escritório da consultoria, param no tempo. Ficam apenas esperando o próximo projeto. Não aproveitam este tempo “livre” para uma atualização, ou mesmo para resolver de forma correta aquele problema que no decorrer do projeto, foi feito às pressas, ou mesmo na gambiarra. Se o próximo projeto demora, cada vez menos motivado o profissional se torna. Quando vai ver, o cara tá num site de joguinho pra matar o tempo. Engano: pra se matar profissionalmente, mesmo!

    2. Quanto aos fodidões do mercado, os consultores Pica das Galáxias: estes são os que mais se “auto-enganam-se a si mesmos”, prar ser bem redundante. Conhecimento nunca é demais. Em um mercado como o SAP, é fundamental aprender coisas novas todos os dias. Até porque existem coisas novas para aprender todos os dias. Estes dias eu conversava com um colega sobre os desafios dos novos projetos e constatei que se o projeto não trouxer para você um ganho em conhecimento, só vai valer a pena pela grana mesmo. Mas quantos projetos você ainda vai conseguir fazer somente pelo dinheiro? Daqui a pouco o que você domina não sera suficiente para ganhar dinheiro.

    Bom… é isso. Grande abraço e vai postando daí que a gente vai comentando daqui.
    Vagnão

    • Vagnão, obrigado pelo comentário! Respondendo suas observações:

      1. Você tocou em um ponto muito interessante! Muito mais da metade da galera que fica “sem ter o que fazer”, tanto em projetos quanto na fábrica de software, prefere gastar o dia todo no facebook e no twitter, ao invés de utilizar o tempo para alguma coisa útil. Eu aprendi a programar em Java e criar apps para Android utilizando parte do meu tempo livre em projetos. Fiz o mesmo para aprender Webdynpro e aprimorar meus conhecimentos em PI. Claro que o cara pode ficar um tempo sim vendo notícias e etc.. mas o cara ficar a semana TODA indo para o escritório e não usar nem um pouco do tempo para algo útil? Eu acho isso completamente ridículo 😛
      2. Gostei do “auto-enganam a si mesmos”, vou usar daqui pra frente hehehehehe. Essa história de que a pessoa já conhece o suficiente é muito datada… e soa mais bizarra ainda vindo de um profissional que deve estar beirando os 30 anos. Esses dias conheci um consultor ABAP que tinha 65 anos, ainda trabalha e ainda quer aprender muitas coisas!

      Abraços e novamente obrigado pelo comentário!

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