Mundo SAP

Published on November 13th, 2014 | by Mauricio Cruz

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ABAP/SAP é um lixo, vamos vender coco na praia

Que atire a primeira BADI quem nunca escutou a frase: “Trabalhar com SAP/ABAP é muito ruim, vamos largar tudo e vender coco na praia”. É uma constante no meio SAP escutar pessoas brandando que estão infelizes em suas posições atuais e preferiam estar fazendo algo diferente. Eu mesmo já reclamei com pessoas mais próximas sobre isso.

Recentes conversas e reflexões levaram-me a algumas conclusões que vão um pouco contra dessa lenda urbana de que abrir cocos é melhor que debuggar a VA. Para que você entenda minha linha de raciocínio, vamos começar explorando um pouco como nasce esse sentimento de que “tá tudo zuado”.

 

Como surge a desmotivação generalizada?

Projetos com prazos apertados. Gerentes/líderes tapados. Time comercial que vende errado. Equipe técnica ruim. Tecnologia datada e antiga. Mãos atadas às decisões dos clientes. Precariedade das praticas. Padrões e convenções arcáicas. Uma infinidade de horas extras. Usuários malditos. Funcionais odiosos. ABAPers pilantras. BASIS que trabalham sem vontade. Incapaciade de utilizar tecnologias novas. SAP é uma empresa que só atrapalha. O standard é horrível. <insira sua reclamação aqui>.

Qualquer pessoa com alguns anos na área ABAP fica desmotivado quanto pensa no futuro, em grande parte por uma ou várias das razões anteriores. Normalmente você fica extremamente empolgado com um mar de possibilidades iniciais (Júnior), para então tomar algumas “porradas” da vida ABAPer em projetos complicados que começam a te deixar irritado (Pleno), finalmente terminando numa posição de conformidade com os problemas por conta de salários confortáveis para a realidade brasileira (Sênior). E essa conformidade gera uma outra onda de discussão em cima de salários, que resulta em levantamentos e reclamações sem sentido como as que eu explorei neste artigo.

Nos ultimos tempos, estamos sendo afogados num mar de novos nomes, siglas e produtos pela comunidade SAP mundial: HANA, Fiori, Gateway, UI5, bla, bla, bla… E como em toda mudança, percebo que muitas pessoas estão ficando excessivamente apreensivas em relação as suas carreiras. O que estudar? O que fazer? Para onde eu vou? ABAP é um lixo então, é isso? Esse medo aumenta ainda mais uma “desmotivação generalizada”, por entender que aquilo com que você trabalha não é o supra-sumo tecnológico da empresa que provê a ferramenta para seu trabalho. A situação é catastrófica: no mundo SAP, há grandes chances de você ficar dependente do cliente para trabalhar com coisas novas. É como se alguém falasse: “Olhe que legal esse teletransportador que faz você ir do Brasil até a China em 5 segs! Agora cale a boca e vá a pé.”.

Saindo do mundo SAP e olhando para os lados, encontramos um mundo que é, aparentemente, maravilhoso. Startups divertidas, trabalho remoto, tecnologia de ponta, pessoas felizes, capacidade real de aprendizado, eventos, equipes qualificadas, <insira algo que você não tem hoje aqui>. Todo mundo sabe do ditado popular: “a grama do vizinho é mais verde”… mas num mundo onde você trabalha numa sala escura, sem água, sem rede, em condições precárias, não dá para piorar, não é mesmo?

Problemas, problemas, problemas…

O futuro não é promissor…?

Pense em tudo que você acabou de ler. Eles são problemas específicos do mundo SAP ou estão relacionados com várias áreas?  Esse monte de coisas estão presentes em tudo quanto é lugar e a maior parte delas foge do nosso controle.

Nem mesmo uma profissão “perfeita” está livre de problemas. Vamos pegar o exemplo de alguém que vende o coco na praia. A pessoa acorda de manhã, passa um protetor solar, arranja os  cocos, empurra seu carrinho até a praia, senta olhando para o mar, puxa uma câmera profissional, tiras diversas fotos e posta na instagram/facebook para todo mundo ver como a sua vida é ótima. Entre análises visuais de 834 ondas por hora a grana alta aparece de forma mágica em sua conta, o que permite que ela volte para a casa após um dia superprodutivo, guarde seus cocos em um lugar seguro e vá jogar um PS4/beber cerveja/<insira algo que você goste aqui>.

Após 1 ano nessa vida, se alguém perguntasse para a pessoa “como anda o mercado dos cocos”, o que você acha que ela responderia? Eu aposto que boa parte das pessoas em situações similares responderiam “não está fácil”. Reclamariam pelo puro prazer mórbido de reclamar.

O grande vilão do seu futuro é você. Os problemas do mundo terão impactos inferiores aos problemas trazidos por fazer mal a si mesmo.

Reclamar por reclamar é como se fosse um mecanismo de defesa para demonstrar aos outros que nós temos uma capacidade superior aquela que utilizamos para fazer o que fazemos no nosso dia a dia.  Eu cansei de reclamar por reclamar na minha vida, para 10 minutos depois continuar fazendo exatamente a mesma coisa que acabei de reclamar (e não me orgulho disso nem um pouco). Eu ainda faço isso, não é fácil mudar.  Isso é um costume, um vício, uma cultura. Algo que é extremamente comum no mundo SAP, algo que é feito milhares de vezes diariamente em todos os projetos, clientes e consultorias.

Se refletirmos em volta desse monte de reclamações e problemas, a verdade é que eles todos realmente existem, sempre existiram e sempre existirão. É você que decide o como lidar com eles e o quanto  isso tudo irá te afetar.

 

Vá treinar

A motivação por trás desse artigo é deixar registrado que essa reclamação constante de que tudo está um lixo não leva a absolutamente nada. Nós gostamos de tacar o pau na SAP por absolutamente tudo que acontece, como se ela fosse responsável por fazer as coisas direito para que nós possamos triunfar da forma certa. A SAP faz o que ela entende que é melhor para ela, assim como você deveria fazer o que acha melhor para você, ao invés de reclamar, reclamar, reclamar… e não fazer nada.

Meu mestre de Hapkido costumava dizer uma coisa que ficou muito marcada em minha vida: vá treinar. Ao invés de ficar discutindo se a arte marcial X é melhor que a Y, vá treinar. Não perca tempo reclamando das federações, vá treinar. Não alimente o ego querendo provar que você é o mais forte, vá treinar. Não seja vencido pela preguiça, vá treinar.

Não fique sonhando com a venda de cocos na praia, vá debuggar.

Quer aprender coisas novas no SAP? Vá em frente, esforce-se! Quer sair do mundo SAP, então mexa-se! Estude algo diferente, crie projetos novos, corra atrás do seu sonho maluco. Não quer estudar nada, não quer aprender nada novo, quer continuar com o seu ABAP e pronto? Ótimo, melhore seu nível ABAP e não sinta-se mal por isso.

Não seja contagiado por visões pessimistas. Isso não vai te levar a nada. Você não precisa concordar com tudo que acontece em sua volta, mas deixar de fazer algo sobre aquilo que te incomoda é onde mora o perigo. Enquanto você ficar parado, nada muda. O mundo muda, mas você fica na mesma. E aí, o que vai ser?

Abraços a todos que estão na batalha diária contra si mesmos 😉

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About the Author

é pasteleiro há alguns anos e criou o ABAPZombie junto com o Mauro em 2010. Gosta de filosofar sobre fundamentos básicos da programação e assuntos polêmicos. Músicas estranhas, artes marciais e games indies são legais. Zumbis não. Converse comigo no twitter e conheça o meu livro de ABAP!



32 Responses to ABAP/SAP é um lixo, vamos vender coco na praia

  1. Antelio I. Abe says:

    Fácil é criticar, falar mal, etc.
    É a posição normal dos fracos que usam isto como desculpa.

    Se ABAP/SAP fosse lixo, então não estaria gradativamente e consistentemente crescendo e ampliando sua base instalada a tantos anos.

    Trabalho com SAP a 15 anos e sempre vem a mesma história que uma hora a demanda vai diminuir, isto nunca aconteceu.
    Quem fala mal é que é ignorante e não sabe o que esta falando.

    Bola pra frente e aos que ficam reclamando, tchau, pois não fazem a menor diferença.

    • Sempre reclamaram, verdade. Nesses últimos tempos minha impressão é que a onda de coisas novas aumentou ainda mais o monte de reclamações.

      Mas é o que você falou: há 15 anos é assim. E eu acho que vai continuar assim por mais 15 anos.

      Vale pelo comentário, abs!

    • fawcs says:

      Antelinho, vc é um doce de goiaba, ainda te pego =*

    • Tiago says:

      Cara, é ruim sim. A linguagem pode não ser. Não conheço e não pretendo conhecer. Mas o produto de vocês é péssimo e caro. Nada intuitivo, nada eficiente, lento… resumindo: é uma bosta! Vocês têm sorte que a equipe comercial é boa pra vender isso.

      • Mauricio Cruz says:

        Tiago, muito obrigado por abrilhantar a discussão com seu comentário totalmente pertinente ao post! Um comentário de quem, claramente, domina o assunto. Por favor, volte mais vezes!

        Grande abraço!

        • Tiago says:

          Mauricio, minhas sinceras desculpas se a ti pareceu um comentário burro. Veio carregado de desabafo de um usuário final. Trabalhei em um projeto de implantação do SAP. Como desenvolvedor, fiz extração e carga de dados, usando java. Atualmente desenvolvo em c/c++ e java. Sempre que preciso usar alguma coisa no SAP, e digo usar, acessando como um usuário final (aquele que a maioria das vezes não entende o que está por trás das cortinas, e não deveria precisar entender) – sempre que preciso recorrer ao sap, respiro dez vezes. Verdade, não conheço o mundo de vocês. Não sou programador ABAP. Mas observe… vocês criam/vendem um produto para um usuário que tem uma necessidade, e os sistemas SAP não me parece suprir essas necessidade a não ser com muito custo. Custo em todos os sentidos.

          Vocês podem continuar desenvolvendo/vendendo o produto de vocês até as grande empresas entenderem que ele não é bom como na propaganda; ou podem levar o usuário a sério e, com isso considerar os preceitos básicos de IHC. A interface de um sistema é coisa séria, “merece” atenção.

          Assim que passei a ter contato com o sap-erp, achei q o problema de usabilidade fosse da customização utilizada, mas em contato com outros usuários, de outras empresas, tive o mesmo feedback. Desses usuários, os que possuem algum conhecimento (profissional/acadêmico) de sistemas de informação são os que responderiam com maior imparcialidade e fundamento ao questionamento “o que acham do sap?”. Os usuários comuns geralmente respondem com um simples “é uma merda!”. Foi em um momento de “usuário final” que fiz o comentário.

          Precisei abrir um chamado para um equipe de banco através do solution manager. Como sempre, após um pouco de stress e revolta com a ferramenta, digitei no google “sap bosta”. O google… tá aí um sistema que funciona (e para usuário). Foi aí que vi abapzombie, e coloquei o comentário ainda carregado de revolta.

          Pois bem… volto apenas pra me desculpar, e tentar explicar o que o comentário por si só deveria dizer.

          • Tiago,

            Entendo essa revolta no seu coração, é tenso, ferramenta feia, pouco intuitiva e a galera que desenvolve ganha bem mais do que em outras linguagens, eu ficaria puto também, te entendo.

            Se no lugar que vc estiver trabalhando, o Solman (Solution Manager) estiver na versão atualizada, vc pode usar a interface web, que ja é bem mais intuitiva e de fácil usabilidade.

            O Produto ERP é bem feio e de difícil usabilidade, mas o software é robusto e desde de antigamente já existe a possibilidade dos desenvolvimentos serem feitos na WEB com o Webdynpro, que eu mesmo não gosto.

            A SAP sabe disso, por isso estão investindo pesado no conceito do Fiori e criaram duas bibliotecas para o desenvolvimento em javascript (UI5 e OpenUI5) para ficar com uma cara mais bonitinha.

            Assim no futuro teremos aplicações web multiplataformas com um sistema robusto garantindo as regras de negocio e com uma cara mais amigável.

            A evolução em uma empresa desse porte é um pouco mais lento, mas com o tempo vem.

            Estamos aqui para te ajudar, quando quiser desabafar estamos a disposição.

            Que todos os seus sonhos se realizem, em nome do time do AbapZombie posso dizer, te amamos S2

          • Tiago says:

            Mauro,

            É justamente a versão web que utilizamos aqui. E não conheço uma só pessoa satisfeita e que pense muito diferente de mim. A revolta não está no coração, está na mente, e volta sempre que preciso usar o erp.

            Não sei o quanto é esse “ganhar bem mais” que vc julga. Pra mim não vem ao caso. Não é disso que estou falando. Me refiro a qualidade do produto de vocês e não à vida que vocês levam. No entanto, acredito e espero que vocês ganhem muito mais. Programar em uma linguagem não muito agradável deve ter seu valor.

            Quando a ser robusto, isso é um atributo quase que imperceptível para o usuário, embora seja bastante visível para o programador, assim como a manutenabilidade, modularidade, etc. ERP é sistema para usuários, pode ser robusto como for, mas se não entrega um bom serviço…

            Só acho que a SAP pensa pouco no usuário e cobra caro pro serviço que presta. E não estou comparando linguagens nem atacando vocês. A comunidade SAP poderia fazer melhor, mas me parece que dinheiro é o que importa, a qualidade e satisfação, bem… aí fica mais caro. Enfim… creio que com o tempo isso mude.

            Felicidades, seja lá o que isso for pra vocês.

          • Mauricio Cruz says:

            Tiago, blz?

            Obrigado por ter voltado e comentado novamente, dessa vez com mais conteúdo.

            Primeiramente eu preciso dizer que nós aqui não vendemos nada e que o produto não é “nosso”. Somos programadores de um sistema utilizado pela enorme maioria das grandes empresas de hoje em dia, criado em mil novecentos e guaraná com rolha.

            Segundamente eu também preciso dizer que toda e qualquer reclamação feita por você sobre falta de apis, performance sofrível, telas escrotas, usuários revoltados, linguagem burocrática e “insira alguma outra aqui” já foi levantada pela comunidade SAP há muitos e muitos anos. Reclamações sobre o quanto o ERP é falho são uma constante na comunidade.

            Ninguém aqui gosta de trabalhar com um sistema com telas de 1910 enquanto podemos ter experiências infinitamente melhores com apps web ou mobile. O movimento de mudança do lado da SAP veio com SAPUI5, HANA e um monte de papagaiadas. Porém a burocracia de grandes empresas faz com a roda gire de forma extremamente lenta e ainda vai demorar um tempo até que novos produtos da SAP complementares ao ERP que dão uma roupagem “atual” tenham o uso disseminado.

            Você comentou sobre o ERP ser um sistema para usuários, quando eu penso que o ERP é mais um sistema para a empresa. Os CEOs que decidiram comprar o SAP no passado basearam-se muito mais na sua robustez e flexibidade em atender vários processos entre praticamente qualquer área da empresa. O peso da interface era praticamente nulo nessa balança e ainda continua nulo para muitos tomadores de decisão. No fim do dia, importa o quanto o ERP consegue alavancar as operações da empresa e não se o user está feliz com o flow de uma sequência de telas.

            Claro que os tempos mudaram e hoje tudo ficou velho e datado. Nossa insatisfação em trabalhar com coisas assim é bem parecida com a sua. Porém, o intuito deste post era justamente endereçar as pessoas que simplesmente reclamam e não fazem nada para mudar. Há muitos ABAPers que reclamam exatamente do mesmo jeito que você reclamou, mas não se mexem para inverter o jogo. Deixei até mesmo a sugestão de mudar para outra linguagem/trabalho, se o mundo do SAP e ERP não agradam. O que não dá é para ficar parado.

            Enfim, chega que já ficou grande demais. Se for para falar mais, melhor fazer algum post endereçando esses questionamentos. Mas fico feliz que um simples comentário revoltado tenha virado uma discussão civilizada.

            Abs!

  2. Luciano says:

    Muito bom o post, serve de inspiração mesmo. abraço

  3. Paulo S. says:

    Concordo, aliás essa comparação com a arte marcial foi ótima, nunca tinha pensado nisso.
    Abs!

  4. Thiago says:

    Ae Mauricio!! Texto genial!!

  5. Fábio says:

    Cara, que inspiração esse teu post! Para mim que estou tentando ingressar nesse mercado é muito motivador. Mas agora reclamando um pouquinho (rsrssr) ninguém quer Jr. :/

    Abraços!

  6. Quem olha o tópic até acha que alguém do Abap Zumbi se desmotivou, mas muito pelo contrario, muito boa a matéria trabalho com ABAP e PI há 02 anos e estou vendo crescer muito a prática de SAP, principalmente aqui em recife onde trabalho!

  7. Oi Maurício e outros leitores do blog.

    Eu concordo com o que diz o post e tenho esta mesma experiência de se desmotivar despois de acontecimentos como os mencionados. Sei muito bem o que é ser prejudicado por ter um infeliz que vende errado, ou que vende errado sabendo que vai ganhar comissão de qualquer forma, ou que vende errado pois é a única forma possível de ganhar a conta do cliente.

    Recentemente não fui alocado num projeto que tinha participação de ABAP (NF-e 3.10) pois a consultoria que eu trabalhava fez um bem bolado com o cliente para diminuir o custo do projeto. Qual foi este bem bolado? Combinar que o próprio cliente fizesse as aplicações de OSS Notes necessárias. Eu entenderia e aceitaria se o bem bolado parasse aí. Só que o “responsável” do cliente que faria as aplicações de notas era um GP/Funcional! Moral da história… o cara pediu arrego na aplicação de notas e eu fui alocado pontualmente para aplicar as notas que faltavam e corrigir as que o cara fez cagada. Foi numa quarta a noite que fiquei sabendo que na quinta feira de manhã deveria estar no cliente para aplicar as notas. Entre quinta e sexta feira apliquei algo em torno de 50 OSS notes. Obviamente nenhum cronograma foi revisto neste meio tempo e ainda empurarram a manutenção de um programa Z do cliente para eu resolver… e adivinhe? Um programa que não foi contemplado no blueprint.

    Enfim… além dos motivos já mencionados, por experiências recentes eu acrescentaria o calote, as eternas promessas e desculpas de empregadores, recrutadores ridiculamente incompetentes e as vagas que estes últimos postam como outros motivos para entrar numa depressão quase irreversível.

    É verdade que ignorar alguns problemas para focar no principal (estudar) é uma ótima dica. Mas por um outro lado não acho que devamos aceitar algumas coisas e achar que tudo é normal.

    Eu já tive a feliz oportunidade de trabalhar em 2 empresas fora do mundo SAP fora do Brasil. Uma delas, uma startup com 3 pessoas (4 comigo) que funcionava numa única mesa encostada numa parede num espaço cedido por outra empresa.

    Vou elencar algumas coisas que nunca aconteceu nos 6 meses de trabalho que tive no exterior e que já perdi as contas de quantas vezes aconteceu no Brasil, em empresas de grande porte ou até multinacionais e que usam SAP.

    1) Chegar no trabalho e não tem um par de mesa + cadeira para você trabalhar
    2) Trabalhar num projeto em 6 pessoas e a sala do projeto ter 4 cabos de rede.
    3) Acabar a força e depois de 2 horas você ser obrigado a permanecer na empresa
    4) Ter o pedido de acesso a VPN negado porque o projeto é para ser feito durante a permanência no cliente.
    5) Ter que desaplicar uma nota que corrige um bug no standard simplesmente pq ela não foi pedida
    6) Ter que encarar um chamado de mais de 2 anos como urgente.
    7) Ser obrigado a ir almoçar exatamente ao meio dia pois neste momento as luzes do escritório são apagadas.. e só voltam exatamente 1 hora depois… até mesmo se você almoçar em 40 minutos você se fode… traz almoço de casa? Coma no escuro.
    8) Receber a resposta “não usamos pois não é seguro” quando a pergunta é “por que vocês não usam web services ao invés de ficar criando programa Z pra lá e para cá que cria arquivo txt?”
    9) Ser obrigado a cancelar a subida de uma correção para prod porque faltou um hífen no comentário “BEGIN OF Chamado 1234” / “END OF Chamado 1234″… o hífen deveria ir entre “Chamado” e o número.
    10) Ter que comentar/remover metade dos requisitos desenvolvidos em quase 2 meses de projeto no último dia de testes integrado pois o usuário fala que é melhor não colocar a solução inteira no ar de uma vez só – e surpreendentemente a parte que não deve ir para Prod é justamente a que ele não testou.

    Dá para listar N outras.

    Isso não é normal. Este tipo de experiência bizonha pode ser comum em alguns lugares… mas com certeza não é normal. E não evitando que isso se repita, coisas mais bizonhas acontecem no futuro e que vão te tornar ainda mais deprimido e com vontade de largar tudo.

    É por isso que eu sou contra comissão paga no ato da venda e não da entrega.
    É por isso que eu não me importo de ter sido considerado ABAP Pleno por uma empresa que me avaliou por teste psicotécnico de 1 hora + uma entrevista de 15 minutos com um ABAP que nem sabia que o Eclipse podia ser usado com ABAP e que nem me perguntou se eu conhecia WD… mas fica aqui a dica de como é o processo de seleção da Agile Solutions para quem leu meu comentário até aqui
    É por isso que divulgo vagas pedindo coisas infundadas e toscas como “experiência na versão 4.5B + PI” .. para que outras pessoas passam rir também.
    É por isso que dou risada da vaga de ABAP que é desejável ter 13 certificações sendo que NENHUMA delas é de ABAP mas que algumas são de Hana, PI e FI!!! Ao mesmo tempo, o selecionado fará meramente um sustain de programas ABAP e inglês pode ser intermediário mesmo. Duvida?

    https://twitter.com/fabiopagoti/status/533110749573685248/photo/1

    Algumas vezes estamos realmente vendo a grama do vizinho mais verde que a nossa. Mas se a nossa grama não cresce e temos um jardim cheio de barro… o problema não é invejar o vizinho. O problema é acreditar que é normal um jardim só ter barro.

    Não aceitemos estes tipos de bizonhices.

    Além de treinar o ABAP… pratiquemos também o dizer “não” para algumas coisas.

    E digo isso não só porque podemos ser um dos prejudicados mas porque sempre tem alguém que depende de nós. E também porque se acharmos isso normal prejucaremos outros no futuro.

    O vendedor de coco não pode achar normal que as pessoas devem aceitar comprar o coco inteiro e abrir elas mesmas porque a faca dele quebrou ou achar normal que o chá quente é melhor num dia de 30C na praia.

    Logo, devemos separar o que tosco do que é inveja.

    Grande abraço!

    • Fábio,

      Obrigado por ter feito o maior comentário deste site. Aposto que seu comentário é maior que boa parte dos nossos posts… 🙂

      Sobre o que você falou, note que em momento algum do texto eu disse que precisamos abaixar a cabeça para qualquer coisa “já que o problema sempre existiu”. Pelo contrário.

      O ato de dizer “não” para qualquer uma das situações que você listou é fazer algo sobre aquilo ao invés de aceitar para depois ficar reclamando. E isso é o que mais vemos: gente reclamando de barriga cheia + gente reclamando que algo está errado sendo que ela já sabia de tudo aquilo desde o início. No último caso, teria sido mais fácil dizer um “não” logo de cara ao invés de ter aceitado para reclamar.

      O “vá treinar” quer dizer: Faça algo sobre aquilo que te incomoda. Isso engloba muito mais do que simplesmente estudar ABAP, envolve desafiar a si mesmo em busca de um direcionamento melhor para sua carreira (ou seja, passar longe das situações que você listou).

      Muitos diriam que a formação ABAP já é torta desde o início e gera pessoas acostumadas com situações bizarras por acharem que elas são “normais. Você, como instrutor, está com a faca e o queijo na mão para mudar esse cenário. Pode demorar um tempo, mas tenho certeza que com o direcionamento correto você colherá os frutos no futuro.

      Mais uma vez valeu, abs!

      • Sabe que as vezes nem acho os comentários tão grandes assim? Quando comecei a me interessar + post blogs eu li algo que não esqueço até hoje:

        blog = post + comments

        Pode ter certeza que além que cada post aqui do Zombie eu leio cada um dos comentários…. mas enfim…

        Mas apenas para deixar claro… eu realmente não havia entendido que você falava para as pessoas abaixarem a cabeça (até porque via de regra quem expõe sua opinião publicamente, igual fazemos nos blogs, não é o tipo de pessoa que fica engolindo sapo por aí). Logo, eu apenas quis puxar este assunto de que as vezes a grama realmente é mais verde no vizinho… e é mesmo! E as vezes algo pode ser feito para melhorar sua própria grama.

        Sendo bem honesto, um dos motivos pelos quais me interesso por UI5, Hana e afins é porque acredito que novas empresas com a mentalidade mais aberta entrarão no mundo SAP (e outras serão criadas). Cedo ou tarde me vejo trabalhando neste tipo de empresa… e não tem como me ver assim não estando estudando agora sobre estes assuntos.

        E eu sou um dos que concordam que a formação em SAP em geral é torta e fraquíssima… principalmente de quem é funcional na minha visão. Vejo também que dando aulas posso mudar isso, pelo menos em pequena/média escala – a menos que a openSAP me convide para dar um curso de ABAP! Haha .. já pensou que bacana?

        Concluindo, o tipo de pessoa que fica reclamando e só reclama não é aquela que vemos na SCN, em eventos como o SITSP que está por vir, em comentários de post como este no dia a dia.

        Abraços!

        • Daniel Jesus says:

          Situação tensa Pagoti, ultimamente estou achando que ser sênior é acumular histórias como essa.
          Uma pena que por mais que estudemos e nos preparemos sempre seremos reféns das atitudes de quem controla o negócio, nosso conhecimento não vai mudar isso.
          A esperança é essa que você assinalou, que existam novos negócios, essas novas vertentes SAP são uma possibilidade que pessoas novas deêm um refresh no controle.

  8. Hoje o Fábio comentou no seu Twitter que a sua nova classe de ABAP está muito motivada e que se continuar assim será muito bom. Depois de mais de cinco anos lecionando nessa mesma classe posso arriscar que depois uma semana ou duas, se dois ou três ainda estiverem motivados será muito.

    Há muito tempo que ando desmotivado em ensinar ou compartilhar conteúdo. Tivemos um tempo no ABAP101 com vários projetos open source com o objetivo de motivar as pessoas a aprenderem na prática. Tivemos pouquíssimos casos de sucesso. Arrisco a dizer que essas pessoas que aproveitaram a oportunidade e hoje estão bem empregadas teriam o mesmo fim com ou sem a nossa ajuda. Ou seja, quem fez ela chegar onde chegou foram seus próprios méritos, não meu ou do Fábio.

    Por que as pessoas se desmotivam nos nossos treinamentos ABAP? Essa foi uma pergunta que sempre me fiz e hoje digo, porque são pessoas. O ser humano quer ganhos sem esforço. A maioria se decepciona quando percebem (isso logo na semana 1) que fazer o curso de ABAP é apenas 1% do caminho. Os outros 99% são formados por projetos bizonhos, prazos impossíveis, horas de trabalho sobre-humanas e requisitos esdrúxulos.

    Ouvi muita piadinha que o instrutor é quem ganhava bem. Não posso reclamar, mas ninguém viu como eu consegui essa vaga de instrutor, as pizzas de suor de nervoso nas primeiras turmas, feriados perdidos preparando material e estudando muito além dos projetos que eu estava alocado. Fora as horas longe da família e quase crises de estresse e fadiga.

    Em resumo, as pessoas reclamam pois querem a recompensa sem o esforço. Querem alguma glória sem sacrifício. Para esses digo: não há sucesso sem suor e sacrifício. Sim o mercado de ABAP é difícil, assim como funcional, BW, WF ou . É assim em qualquer área de programação, TI ou profissional. Essa é a vida adulta.

    • Daniel Jesus says:

      Mestre Furlan não desanime!
      Passei por muitas coisas desde aqueles tempos de aula, alias estou enfrentado meu maior desafio até hoje e acredite, não é javamapping ou certificados, não é reunião em alguma língua estranha e nem rest services. São pessoas, aff cada história.
      Enfim, pessoas…. mas não são todas assim, por isso ainda não desanimo.
      Consegui angariar algum conhecimento em PI, trabalhando, estudando e comprando livros, esforço próprio.
      Meu chefe reconhece e propôs que eu fizesse um curso interno na empresa para passar esse conhecimento pra equipe e aceitei sem pestanejar, mesmo sabendo que podem me deixar de lado após o projeto se estabilizar. hahahah
      Graças a sua influência daqueles tempos de aulas na ka penso sempre transmitir o conhecimento, a quem realmente se interessa.

  9. Eu concordo totalmente contigo Furlan! E antes mesmo de postar este tweet eu pensei um pouco em como escrevo. No começo tudo são rosas e não há pressão alguma em sala de aula.. realmente só ensinamos a engatinhar, por mais complexo e completo que seja o curso.

    Eu até acrescento o fato dos cursos exigirem muito até fisicamente dos alunos. A coisa é estenuante.. mas os projetos também o são!

    Mas ao mesmo tempo vejo a falta bons exemplos rodeando quem precisa de motivação e de um norte. Tem ex-aluno que não desiste de procurar vaga de ABAP no LinkedIn… mas que já desistiu de estudar porque “já fez curso”.

    É um assunto complexo… mas o que é fato é fato. Quem se interessa não reclama tanto e acaba até sendo ajudado “sem necessidade”. Ou seja, não importa o que aconteça, estas pessoas terão ascenção profissional garantida enquanto tiverem seus pensamentos e atitudes coerentes.

    Abracos!

  10. Fabio says:

    Caros,

    Me desculpem por postar aqui, mas alguém pode me dar uma(s) dica(s)?

    Trabalho com SAP a 5 anos (usuário MM/PM e Key user PP) e desde de junho, quando sai da empresa, venho tentando algum freela ou clt para trabalhar como suporte em algum projeto ou assistente, só que, infelizmente o meu perfil ainda não atende à infinidade de requisitos que as vagas pedem.
    Tentei ainda estágio e só consegui uma entrevista na Capgemini, mas o recrutador avaliou meu perfil pleno demais para a vaga de estágio.

    Atuamente eu estudo engenharia de produção e como o tempo passou e as finanças apertaram daí tive que aceitar um trabalho que não tem nada a ver com SAP.

    Por enquanto eu fico revisando as apostilas SAP dos cursos que fiz na empresa e por esses dias achei uns videos no youtube sobre SAP.

    Qual o conselho vocês me dão para entrar nesse mercado? Nem penso em academias da vida por enquanto por causa do custo disso.

    Forte abraço,

    Fábio,

  11. Oi Chará…

    Com todo respeito… se você recebeu um “não” por ser “pleno demais para um estágio” este recrutador da Capgemini deve um estagiário como recrutador pleno. Isso não faz o menor sentido.

    Mas trabalhar com TI não é só saber TI… se você tem boa experiência em SAP, o que não duvido que tenha para quem trabalha há 5 anos e tem a boa vontade de estudar por conta própria, veja se o que lhe falta é um inglês bom ou algo do gênero.

    Mas recrutador escroto tem em todo lugar, não se deixe abatar por isso. Continue procurando e estudando (como o post dá a dica).

    Abraços e boa sorte!

  12. Rodrigo Anjos says:

    Ótimo Post Mauricio,
    Entrei no mundo SAP muito cedo , cheguei a um ponto que não aguentava mais, e fui trabalhar com java e aplicações web, mas vi que encontrava os mesmos problemas do dia a dia , e pior, trabalhava mais e ganhava bem menos que um consultor ABAP/4 do mesmo nível. Depois de 2 anos, resolvi voltar para ABAP/4 devido uma boa proposta de um grande amigo, estou muito feliz por ter voltado, pois ainda acho que nosso área e melhor em termo de $$$ e sem contar que não tenho mais problemas com frameworks/integração para quem programa em outras linguagens, sabe como isso e terrível.
    Então vamos estudar bastante, pois essas novas siglas estão vindo com tudo, e melhor coisa, e ficar especialista em umas delas e ir em frente, pois não da para ser o melhor em tudo.

    Atenciosamente,
    Rodrigo Anjos

  13. Joao Martins de Castro Jr says:

    Quero destacar duas frases que mexeram comigo?
    “Quer continuar com seu ABAP e pronto? Ótimo, melhore seu nível ABAP e não sinta-se mal por isso.” e “vá treinar!”.
    Eu cai nesse ciclo vicioso de reclamações levado por toda essa onda de reclamações e agora turbinado por essa crise…
    Parar de reclamar, melhorar o que eu faço e treinar. Esse será meu mantra.

    • Joao Martins de Castro Jr says:

      Começo o comentário assim
      Quero destacar duas frases que mexeram comigo: (e isso não é uma pergunta, como escrevi antes….)

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